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Um morto e oito feridos

Índios encontraram corpo de Adenílson Krixi Munduruku e alegam que ele foi executado por delegado da PF

 

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem

Índios da etnia Munduruku encontraram ontem o corpo de Adenílson Krixi Munduruku, de 28 anos, desaparecido desde o confronto ocorrido na quarta-feira passada durante uma operação da Polícia Federal na região do rio Teles Pires, na divisa com o Pará. 

Por telefone ao DIÁRIO, o índio Sandro Waru Munduruku, filho do cacique da Aldeia Teles Pires, disse que o corpo foi encontrado com três marcas de tiros. “Ele levou um tiro na perna que quebrou até o osso, outro na coxa e um na cabeça”, afirmou. 

Até a conclusão desta edição, a PF não havia se pronunciado oficialmente a respeito do episódio e mantinha a confirmação de apenas oito pessoas feridas: dois policiais, atingidos por flechas, e seis índios. 

Dois dos índios, com ferimentos à bala nos braços e perna, foram transferidos para o pronto-socorro de Cuiabá, onde aguardavam exames e a confirmação da necessidade de cirurgias. Segundo a direção do hospital, ambos estavam em condição estável. 

A ação da PF fazia parte da Operação Eldorado, que combate uma rede de exploração de garimpos ilegais de ouro na região. Líderes das etnias Munduruku e Cayabi, segundo as investigações, participavam do suposto esquema. 

O conflito ocorreu, segundo a PF, no momento em que agentes cumpriam a ordem judicial que determinava a destruição de balsas usadas para a extração de ouro no rio Teles Pires. Segundo essa versão, os agentes foram atacados pelos índios. 

Waru disse que o pai do índio supostamente morto no confronto viu quando o filho foi atingido e apontou um delegado da PF (um dos feridos) como o autor dos disparos. 

“O pai dele viu o delegado atirando nele. Depois ele passou um rádio para nós e falou: o meu filho levou um tiro e está desaparecido o dia todo. A PF falou para ele: o seu filho está vivo por aí”, relatou Waru. “Hoje [ontem] achamos o corpo e estamos revoltados”. 

O índio se queixou, ainda, do que chamou de “ataque” da PF à aldeia, logo após o confronto. 

“Nós queremos saber por que o delegado invadiu a aldeia, jogando bombas de efeito moral, atirando com bala de borracha nas pessoas, atirando nas casas e amedrontando nossas crianças. A operação era somente no rio”, criticou. 

A reportagem apurou com fontes da PF que os policiais entraram na aldeia em razão do conflito ocorrido no rio. Segundo relato dos policiais, o objetivo era verificar a existência de armamentos escondidos e atender feridos. 

Uma nota divulgada pelo CIMI e assinada pela Comunidade Indígena de Teles Pires denuncia que aldeia estaria neste momento “sitiada” pela PF, que estaria impedindo os índios de usar o rádio para se comunicar. 

“A invasão na aldeia provocou confusão entre os índios que não sabiam da operação e nunca tinham visto tanto aparato de guerra (…) A aldeia está completamente sitiada pelos agentes para evitar a fuga dos indígenas.” 

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