Três hospitais estão parados em MT

Da Reportagem

Pelo menos três hospitais mato-grossenses paralisaram algum tipo de atendimento devido à falta de repasses do governo estadual. Ao todo, 33 cidades são prejudicadas, o equivalente a quase 24% dos 141 municípios. 

A situação mais crítica é do Hospital Regional de Água Boa, onde os médicos já ameaçam interromper o socorro aos casos de urgência e emergência. Conforme a diretora-executiva da unidade, Lorena Parodi, a dívida acumulada já é de aproximadamente R$ 1,5 milhão. 

“Não temos mais condição pela falta de medicamentos e os médicos estão com os salários atrasados. Estamos apelando ao emocional para que eles não parem a emergência também”, diz. 

O hospital atende 10 cidades que compõem o consórcio municipal do Médio Araguaia. Os pacientes que não encontram assistência em Água Boa são transferidos para Barra do Garças, a 240 quilômetros. 

O transporte fica por conta da prefeitura, problema que também é enfrentado em Diamantino, onde o Hospital São João Batista deixou de realizar internações e cirurgias eletivas há duas semanas. 

Conforme a secretária municipal de Saúde, Dilma da Conceição Araújo, desde a paralisação, o município tem usado um carro de passeio para dar assistência às duas ambulâncias. “Nos casos mais graves pedimos emprestada uma ambulância de uma das cidades vizinhas”, explica. 

Parte dos pacientes tem sido encaminhada para Cuiabá. Já as gestantes vão para Rosário Oeste. Apenas os casos mais simples são atendidos no pronto-atendimento local. “Ainda não contabilizamos os gastos, mas já deu para notar que triplicamos os custos. Os medicamentos já estão no limite”, diz a gestora.

Diretor do Hospital São João Batista, o frei Tarcísio (Sérgio Luiz Marchine) afirma que o débito do Estado é de aproximadamente R$ 800 mil. No último dia 25 ele esteve na sede da Secretaria de Estado de Saúde (SES) para cobrar os repasses. “Disseram que o dinheiro seria depositado na mesma noite, mas quando cheguei não encontrei nada. Na semana passada foi que mandaram R$ 107 mil”, conta. 

Na região do Araguaia, os moradores de 11 cidades que buscavam assistência médica em Barra do Bugres estão procurando auxílio em outros municípios há quase dois meses. Isso porque o hospital, que possui portaria que o reconhece como regional, passou a atender apenas os moradores locais. A unidade acumula uma das maiores dívidas, cerca de R$ 2,2 milhões. 

No início do mês passado, médicos, enfermeiros e parte da população trancaram uma rodovia estadual em forma de protesto. Com a manifestação, conseguiram receber R$ 746 mil e uma promessa de que outras duas parcelas iguais serão depositadas em novembro e dezembro. 

Segundo a coordenadora de enfermagem da unidade, Eliane Vieira de Pinha Meira, o prazo para o pagamento da segunda parcela termina neste sábado (10). “Se não pagarem nós vamos parar e, desta vez, não estaremos sozinhos. Outros hospitais da região já disseram que vão parar também”, diz. (LN) 

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