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Não nascem bebês em mais de 35% dos municípios mato-grossenses

Há mais de oito anos, não nasce nenhum bebê em Chapada dos Guimarães, cidade turística localizada a 65 quilômetros de Cuiabá. Não pela falta de mulheres grávidas, mas de maternidade no município, que conta com quase 18 mil habitantes, como apontou o Censo de 2010. Exceto aquelas que dão à luz por meio do trabalho de parteiras, todas as gestantes são encaminhadas à capital para ganhar bebê. Ao todo, 60 cidades mato-grossenses, o correspondente a 35%, não possuem maternidade, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES).O prefeito da cidade, José de Souza Neves, disse ao G1 que no município há somente uma unidade de saúde, o Hospital Municipal Santo Antônio, que funciona como pronto-atendimento e dispõe de alguns leitos de internação. Porém, não se faz nenhum procedimento cirúrgico na unidade, incluindo obstetria. “Na zona rural, as crianças nascem com parteiras em situação emergencial, mas sem nenhum acompanhamento médico”, afirmou.

Conforme o prefeito, a previsão é de que no próximo ano o município já tenha uma maternidade em funcionamento, a partir da construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), cuja obra começou neste mês, por meio de um convênio com o Ministério da Saúde. Com essa nova unidade, que deve atender uma média de 50 pacientes por dia, o Hospital Santo Antônio deve se transformar em uma maternidade. A obra da UPA deve custar R$ 1,4 milhão e deve ser concluída em um ano e três meses.

Apesar da falta de maternidade, José Neves argumenta que as mulheres recebem apoio para ir a Cuiabá. “As gestantes chegam ao hospital, que é o único da cidade, e depois são levadas para Cuiabá, através da Secretaria Municipal de Saúde”, contou. Um dos problemas é que os hospitais da capitais já enfrentam sérios problemas de superlotação, justamente por atenderem pacientes de todas as regiões do estado. Só de Chapada dos Guimarães, por exemplo, uma média de 30 mulheres vão a Cuiabá dar à luz.

Ocorre, segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) que Cuiabá também não consegue mais atender a demanda. A presidente do órgão de classe, Dalva Neves, aponta um déficit de, no minímo 150 leitos de maternidade, na capital. “Há uma deficiência de maternidades também em Cuiabá. O município compra o serviço do Hospital Santa Helena (unidade filantrópica), que já está sem condições de atender a quantidade de pacientes que buscam atendimento”, frisou. A capital não possui nenhuma maternidade.

Segundo a presidente do CRM-MT, há dias que gestantes chegam ao hospital e são colocadas em cadeiras. “E isso não é culpa do médico. Ele pede para a paciente sentar na cadeira porque não tem leitos e não pode mandá-la embora porque ela já irá entrar em trabalho de parto”, pontuou. Uma das alternativas, na avaliação dela, seria destinar o prédio onde hoje funciona o Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá para o atendimento a gestantes e crianças. “Isso pelo visto não passa de um sonho”, considerou.

Essa deficiência faz com que algumas medidas não tenham condições de serem colocadas em prática, como é o caso do parto humanizado, onde a mulher recebe atendimento até o momento de entrar em trabalho de parto normal e conta com um acompanhante, muitas vezes do marido. “Quando está muito lotado, não tem como ficar um acompanhante, porque os leitos são divididos por biombos e quando a mulher está sentido dor ela não se importa em se cobrir direito, então não tem como outros homens ficarem no mesmo espaço. Isso dá até briga”, citou Dalva.

Entre as cidades que não tem maternidade estão Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger, localizadas na Baixada Cuiabana. Ao G1 o prefeito de Barão de Melgaço, Antônio Ribeiro Torres, contou que há 20 anos não nasce nenhum 'filho legítimo de Barão' pelas mãos de um médico, somente por meio de parteiras. “Poucos filhos de Barão nasceram nas mãos de médicos. A maioria por parteiras”, frisou.

A previsão, entretanto, é que em 120 dias um hospital municipal que foi reformado já esteja em funcionamento. O prédio foi reformado recentemente e já foi reinaugurado, porém, ainda não está fazendo partos. “Se não conseguirmos recursos do governo federal e estadual para comprar equipamentos para colocar o hospital em funcionamento, tentaremos buscar recursos do município”, afirmou. Hoje, todos os pacientes em situação mais grave são conduzidos a Cuiabá. A estimativa é que sejam necessários cerca de R$ 500 mil para a aquisição dos equipamentos.

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