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Memórias, não são só memórias São fantasmas que me sopram aos ouvidos Coisas que eu… Memórias, não são só memórias São fantasmas que me sopram aos o

A adolescente de 17 anos que foi ouvida pela Polícia Civil nesta terça-feira (13), em Sorocaba (SP), confessou a participação em dezenas de crimes e disse que usava a aparência como aliada para praticar os delitos. Vestindo roupas curtas e com uma mochila nas costas – na qual escondia a arma -, ela andava pela rua e conseguia enganar os homens, suas principais vítimas. “Uns me chamavam e eu dava atenção, dava risadinha, me fingia de fácil. Aí só lamento o resto”, disse a jovem, em entrevista à TV Tem.

A jovem confessou autoria em dez roubos de veículos. Depois de abordar o motorista, ela entrava no veículo e convencia a vítima a ir até um lugar ermo, onde anunciava o assalto empunhando uma faca. “Era fácil a abordagem. Com mulher é fácil porque os caras são 'tudo tarado' hoje em dia”, revelou.

Apesar de usar roupas curtas e “seduzir” as vítimas, ela conta que nunca fez programa. “Eles queriam ir para o motel, mas eu nunca fui, sempre arrastava eles pro mato. Nunca fiz nada com eles porque eu me dava ao respeito”, conta. 

Além de roubar carros, a adolescente, que completa 18 anos no sábado (17), também confessou a autoria em três saidinhas de banco, três roubos a residência e quatro roubos a estabelecimentos comerciais.

O dinheiro que conseguia “gastava em funk, balada e maconha”. “Fumo todo dia. Tinha que roubar para pagar a maconha, porque não podia pedir dinheiro para o meu pai e para minha mãe. De uma menina ninguém 'desacredita', então roubar foi ficando cada vez mais fácil”, diz.

Segundo a jovem, nos roubos a residências e comércios, ela contava com a ajuda de outros três adolescentes. Na casa deles, a polícia apreendeu oito quilos de maconha, pedras de crack e cocaína. Os jovens continuam foragidos.

Violência
Quando a tática da sedução não funcionava, a jovem usava de violência para atacar as vítimas. “Nas lojas eu chegava acelerando, empurrando e pegando o dinheiro. Quando viam que eu estava armada eles entregavam o dinheiro. Mas uma vez um cara ficou olhando para mim e rindo, aí dei duas 'bicudonas' nele. Devia estar bêbado”, lembrou.

Em outro crime, ela chegou a esfaquear um motorista. “Na hora em que ele parou o carro viu que eu estava com uma faca, aí enfiei a faca no pescoço dele. Tive que agir primeiro, senão ele poderia reagir e me matar.”

A maioria dos roubos foi cometida nos bairros Campolim e Santa Rosália, ambos em áreas nobres de Sorocaba. Junto com a adolescente foram encontrados dois capuzes, uma bolsa e um par de sapatos.

O delegado Sílvio Silvio Miguel Marques Vicentim, do 1º DP de Sorocaba, informou que na semana passada ela foi apreendida com drogas, quando foi registrado o primeiro boletim de ocorrência por ato infracional. Na ocasião, ela confessou diversos crimes, que estão sendo investigados. “Alguns deles conseguimos comprovar, inclusive com o reconhecimento de algumas vítimas da menina, mas ainda faltam alguns fatos para serem apurados. E como não houve flagrante, ela não poderia ser encaminhada para a Fundação Casa. Ontem mesmo, ela veio espontaneamente a nosso convite para prestar depoimento”, afirmou.

Ele disse ainda que, assim que as investigações forem concluídas, o caso será encaminhado para a Delegacia da Infância e da Juventude (Diju), que poderá pedir o recolhimento dela para a Fundação Casa ou encaminhar o caso para a Promotoria da Infância e da Juventude de Sorocaba.A jovem diz que já tentou sair da criminalidade, mas não conseguiu. “A sociedade é muito preconceituosa, já fui atrás de emprego, mas não consegui. Nem escola me aceita, parei na 8ª série. Eu já aprontei muito, desde criança sou assim”, completa a adolescente.

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