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Mãe diz que filho foi morto antes de saber da aprovação no vestibular

Assassinado aos 17 anos, Pedro Cesar Scherner não chegou a saber que havia sido aprovado no vestibular de engenharia mecânica, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), como relatou a mãe da vitima, Carmem Lúcia Cesar Scherner. Ela é uma das quatro testemunhas de acusação que prestaram depoimento durante o julgamento do acusado de matar o filho e o marido dela, nesta quarta-feira (30), mais de 20 anos depois do duplo homicídio.

Pedro e o pai, Dario Luiz Scherner, de 45 anos, foram mortos a tiros em uma oficina mecânica, de propriedade do réu, Francisco de Assis Vieira Lucena, após desentendimento por causa do valor cobrado pelo conserto do carro da vítima, em Cuiabá.

Carmem citou que o filho pretendia ingressar na faculdade aos 17 anos, mesma idade em que ela. Além disso, Pedro iria estudar na mesma instituição superior que ela. “Ele tinha passado no vestibular e nem soube”, lamentou.

Ela contou que na data do ocorrido a família se preparava para viajar ao Rio de Janeiro e depois ao Rio Grande do Sul, onde os parentes do marido moravam. O filho, segundo ela, era apaixonado por carros e quis fazer uma surpresa para o pai, consertando o escapamento do veiculo antes da viagem. Para isso, foi até a oficina do acusado. Depois disso, ela foi surpreendida com a notícia da morte, quando estava em um supermercado fazendo compras para preparar o lanche  que seria levado na viagem.

“Fomos surpreendidos com uma multidão na frente da oficina. Fomos ver o que tinha acontecido e encontramos os dois caídos no chão”, disse. Ela contou que, na data do crime, havia sido a primeira vez que o filho tinha ido até a oficina do acusado.

Após a morte de Dario e Pedro, Carmem, que era professora universitária, assim como o marido, disse ter enfrentado sérios problemas de saúde em decorrência do seu estado emocional. “Fui embora de Cuiabá e tive que me aposentar. Não tive mais condições de continuar a escrever meus livros e pesquisas”.

Ameaças
Além dela, outras três testemunhas de defesa prestaram depoimento. Entre elas Marinez Fortes de Barros, cliente dessa oficina. Ela declarou que, cerca de uma semana antes do crime, havia sido ameaçada pelo réu. “Ele (Francisco Lucena) tinha cobrado mais que o dobro do valor combinado e reclamei com ele. Ele então me disse que ele era o dono da oficina e que eu deveria estar atras de um fogão”, contou.

Segundo ela, no momento da discussão, o acusado se levantou de 'forma agressiva', abriu a gaveta e mostrou a arma de fogo. Nisso, a testemunha disse ter sentido medo e pagou a quantia cobrada pelo dono do estabelecimento. Apesar da ameaça, ela afirmou não ter comentado com o marido sobre o ocorrido por receio da reação dele.

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