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Famílias são retiradas de terreno

OANICE DE DEUS
Da Reportagem

Um forte aparato policial foi montado ontem para garantir o cumprimento de um mandado de reintegração de posse em uma área de 11 hectares, localizada na avenida das Torres, próximo ao trevo de acesso ao bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. 

Atualmente, o local é um dos mais valorizados por conta da construção da via e estava sendo ocupado por cerca de 100 famílias. A invasão aconteceu em meio ao período eleitoral, há dois meses. A maioria não estava dentro dos barracos quando os oficiais de Justiça e os policiais chegaram, às 5h30. 

Não houve resistência por parte dos invasores. “Foi feito todo um planejamento para que não ocorresse nenhum fato isolado e para garantir a segurança dos próprios invasores”, destacou o capitão Marco Antônio Guimarães, do 24º Batalhão da Polícia Militar. 

Representante da Meia Lua Empreendimentos Imobiliários, advogado Gustavo Nahsan, a terra é de propriedade do médico e presidente do PDT de Cuiabá, Kamil Fares. A terra pertence à Fares há pelo menos quatro décadas. “A área nunca esteve abandonada e conta com caseiros”, disse. O imóvel já teria sido alvo de invasões pelo menos outras três vezes. 

Grávida de sete meses, Josiane Carla Lima de Oliveira, 21 anos, e o marido dela, Gedival Inácio da Silva, 27 anos, estavam entre os despejados. “A gente vive de aluguel. Paga R$ 300,00 por mês e ainda tem água, luz e comida para comprar”, justificou Gedival da Silva. 

A ocupação teria sido organizada pelo agricultor Deorisvaldo Vieira Sampaio, mais conhecido como Baianinho. Às famílias, ele alegou que o número da matrícula do documento da família Fares não bate com o documento que eles encontraram no cartório do 5º Ofício e por isto organizou a invasão. “A documentação não corresponde com o número de matrícula e já tem um advogado no Fórum que vai recorrer”, informou o eletricista Anderson Ferreira da Silva, 30 anos, que também tentava conseguir um lote no local. 

Ele também rebateu denúncias de que as famílias estavam pagando para conseguir um lote. “A única coisa que pagamos foi uma taxa simbólica para mapeamento, serviço de topógrafo e abertura das ruas. Mas, nada”, afiançou. A taxa paga foi no valor de R$ 200,00. 

Até às 11 horas, os policiais ainda se encontravam no local esperando os invasores retirarem o material empregado na construção mais de 100 barracos.

A operação de despejo contou com 100 policiais militares, incluindo da Ronda Tático Móvel (Rotam), além de agentes de trânsito, bombeiros e equipe do Serviço Móvel de Urgência (Samu). Representantes da Defensoria Pública também orientavam as famílias quanto a possibilidade delas se inscreverem em programas habitacionais. 

Conforme o defensor público Rogério Borges Freitas, ação nesse sentido foi feita em outras invasões como o Humaitá, Jardim Mossoró e Bela Mariana. Já na quinta-feira, o órgão acompanha inspeção judicial na Fazenda Touro Bravo, região do Grande CPA. 

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