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Famílias garantem direito de continuar à beira de barranco após obra da Copa

  Moradores da Rua Xavante, no bairro Santa Helana, em Cuiabá, fizeram um acordo com a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) e garantiram o direito de continuar à beira de um barranco, na Avenida Miguel Sutil, onde foi construído um viaduto na rotatória do bairro Despraiado, uma das obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014 na capital. Eles aceitaram a possibilidade de reduzir o tamanho dos imóveis, segundo a Secopa. Alguns dos nove moradores já tinham perdido parte dos terrenos devido a construção do viaduto, cuja obra está em fase de conclusão. Agora, deve ser construído um muro de contenção para evitar o desmoronamento do barranco, que possui cerca de 10 metros de altura.

À princípio, a Secopa havia informado os moradores sobre o risco de continuarem no local e previu a desapropriação desses imóveis. Porém, após resistência das famílias em deixarem suas casas, foi feito um segundo estudo pela equipe de engenheiros da secretaria, o qual apontou que, com a construção de um muro de gabião, como é chamado, não deve haver risco de desmoramento do barranco. O resultado dessa análise técnica foi apresentado aos moradores na última sexta-feira (1º).A Secopa informou que irá propor à empresa responsável pelo viaduto para que construa também o muro de gabião, onde são colocadas pedras em grades de ferro, já que essa obra não está prevista no contrato firmado com a empresa para a execução do viaduto. Porém, se a empresa não manifestar interesse em executar o projeto deverá ser escolhida outra construtora.

Uma das moradores do bairro, Lenice Pereira dos Santos contou que vibrou com a garantia de permanecer na casa onde mora há anos. “Estou muito feliz porque foi uma batalha muito difícil”, disse. Segundo ela, o muro deve evitar que os terrenos sejam comprometidos. “Pelo que eles [da Secopa] nos disseram deve diminuir um pouco da calçada para não atingir muito o nosso lado”, contou.

Durante a construção desse muro, no entanto, uma família deverá sair da residência, que fica próxima da parte que mais desmorou durante a construção do viaduto. No terreno da casa da aposentada Nilda Oliveira Gomes, de 77 anos, houve perda de aproximadamente 14 metros. Ela vive no local há 36 anos e poderá retornar após a conclusão do muro. 

Antes da reunião com a Secopa para a apresentação desse estudo, dona Nilda havia externado a preocupação em ter que deixar a casa diante da incerteza do local onde passaria a morar. “Disseram que é para ficarmos em alojamentos e isso não quero de jeito nenhum”, declarou, ao afirmar que, além da falta de dinheiro para comprar outro imóvel, já que ouviu falar da demora na liberação das indenizações, ainda tem o valor afetivo.

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