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Famílias do MST denunciam ameaças de grileiros após confronto em MT

Famílias do Movimento Sem-Terra (MST) que vivem no Assentamento Terra de Viver, em Cláudia, a 608 km de Cuiabá, denunciaram à polícia que estão sofrendo ameaças por parte de um grupo de grileiros, que ocupou a área há aproximadamente dois meses. O coordenador do MST Marciano Silva afirmou que o grupo registrou queixa na Polícia Federal e na Polícia Civil da região porque os assentados estavam sendo ameaçados com armas.

Ele explicou que oito famílias vivem desde 2005 na terra e conseguiram o direito de posse junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “O Incra tinha dito que a área seria dividida entre 20 famílias do MST e, por isso, outras 12 famílias do Movimento acamparam lá, mas esses grileiros quando souberam foram para lá antes, sem autorização do Incra e estão intimidando os assentados”, disse Marciano, ao informar que também foi feita denúncia à Superintendência Regional do Incra.

A assessoria da Superintendência Regional do Incra informou que desde o dia 2 de outubro deste ano está sendo feita vistoria na área para notificar as pessoas que estão irregularmente no local. Também disse ter instituído um grupo de trabalho para definir quem deverá permanecer na terra e que irá agendar uma audiência pública com as partes interessadas.

Um dos maiores agravantes é o trabalho oposto que os grupos pretendem desenvolver. De um lado, o MST defende o plantio de alimentos para o consumo e se diz contra o uso de agrotóxicos nas plantações, enquanto na área, alvo do conflito, se planta soja, segundo o movimento. O MST alega ainda ser contra a extração de madeira, que estaria sendo feita pelo grupo rival.

Na semana passada, houve confronto e sete integrantes do MST foram presos. “As vítimas foram à delegacia denunciar as ameaças e as intimidações e acabaram sendo presas”, contou. Porém, essas pessoas foram liberadas em seguida. O MST informou ainda que os grileiros armados e por influência de agricultores e madeireiros da região cercaram a área desde o dia 12 deste mês, quando ocorreu tiroteio e o grupo de sete pessoas foi detido. 

No conflito, duas pessoas foram atingidas pelos disparos. Na ocasião, a Polícia Militar informou que os feridos faziam parte dos sete que foram presos. Conforme o MST, a briga se deu porque os integrantes do movimento reclamaram da pulverização de agrotóxico nas lavouras a um sojicultor durante reunião do grupo. Alegam que, após a reclamação, começou o tiroteio e ateado fogo nos alojamentos.

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