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Diretora da Unemat aciona a polícia após ameaças de morte pelo celular

Há mais de uma semana, a professora Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira, diretora do campus da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) em Juara, a 690 km de Cuiabá, disse estar recebendo ameaças pelo celular. Uma das mensagens recebidas traz ameaças de morte à professora. “A sua morte é uma questão de tempo, pouco tempo”, diz o SMS que ela recebeu no último dia 29. Assustada, ela procurou a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) para denunciar o crime e pedir a punição dos responsáveis.

Lisanil afirmou que estava sentindo medo por conta das ameaças e foi orientada a não andar mais sozinha. “Hoje estou melhor, mas sexta-feira (29) após essa mensagem me senti muito mal diante da possibilidade de que alguém faça isso”, contou. Sem citar nomes, ela avaliou que as ameaças estejam partindo de pessoas da própria universidade, já que uma das mensagens foi encaminhada logo após uma explosão no campus. “Fogo não é perigoso, não é?”, diz o torpedo.

“Por causa disso, tenha certeza de que quem está mandando essas mensagens estava dentro do campus, ou alguém de fora que estava tendo contato com alguém daqui de dentro”, avaliou a professora, ao pontuar que há um grupo contrário à gestão dela, que, inclusive, conseguiu protelar a posse dela no cargo, em 2010. “Venci a eleição, mas só tomei posse oito meses depois após decisão da Justiça”, afirmou.

Antes de receber as mensagens, ela disse ter recebido várias ligações telefônicas, porém, a pessoa que estava na linha não falava nada. “Ouvia só o barulho de teclado de computador. Primeiro, achei que fosse uma brincadeira, mas após umas 20 ligações, comecei a achar estranho”, contou. Depois disso, ela recebeu a primeira mensagem dizendo: “Consegui descobrir a tempo que você tentou me prejudicar e você vai pagar por isso”. Daí então, ela percebeu que não se tratava de uma brincadeira de mau gosto. 

Segundo ela, na época dessa eleição, após um back-up nos computadores antigos da instituição, foi descoberto uma conversa na máquina usada por uma funcionária do campus dizendo que iria queimar Lisanil com gasolina. As conversas também foram encaminhadas à polícia para ajudar nas investigações do caso. “Sou uma 'forasteira'. Estou aqui [em Juara] há sete anos e há outras pessoas que se achavam donas do espaço”, disse, sem citar nomes.

A professora relatou ter recebido as mensagens no celular institucional da universidade e que, “estranhamente após conversar com pessoas próximas e decidir registrar o boletim de ocorrência, o celular sumiu”. Depois disso, os torpedos começaram a chegar no telefone pessoal dela. “No último dia 27, fomos jantar com o palestrante de um evento que estávamos realizando e, naquele momento recebi a seguinte mensagem: 'o teu passado vai lhe acompanhar sempre e eu também, bom apetite'.

No dia seguinte, ela foi à delegacia, porém, disse ter ficado mais preocupada após a conversa que teve com o delegado. “Ele [delegado] me disse que se alguém quer me matar não há nada que se possa fazer para impedir, eu que me defenda, nem que seja com caminhão-tanque”, contou a professora, que no dia seguinte recebeu o torpedo a ameaçando de morte.

O delegado Carlos Henrique Hengellman disse ao G1 que o caso já está sendo investigado e que devem ser identificados os donos dos celulares que enviaram as mensagens. “Vamos tentar identificar os dois números de telefone dos quais foram encaminhadas as mensagens, mas acredito que há uma 'super dimensão' do caso”, disse, ao avaliar que, normalmente, as ameaças não são cumpridas.

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