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Com hit de &#39Salve Jorge&#39, Jesuton diz: &#39Rock in Rio será como cantar na rua&#39

“I'll never love this way again” seria só um antigo sucesso de Dionne Warwick, prima de Whitney Houston, de 1979, se não tivesse sido regravada por Jesuton para embalar as cenas de Théo e Morena em “Salve Jorge”, em 2012. A música ganhou sotaque britânico e virou hit no Brasil. A londrina, há um ano, se apresentava nas ruas do Rio. A faixa é a maior credencial para a passagem de shows amadores em 2012 para o Rock in Rio 2013.

“Na rua e também no festival, você está lutando pela atenção das pessoas”, compara Jesuton em entrevista ao G1. “Mesmo que seja difícil, não significa que não vai ser provavelmente o melhor dia de minha vida até agora”, ela diz sobre o Rock In Rio. Ela canta no Palco Sunset, no primeiro dia do festival (13 de novembro), que tem Beyoncé como atração principal.

Jesuton se esforça para falar em português, ainda com sotaque forte, e comenta possíveis parcerias para novas composições no segundo disco – o primeiro, “Encontros”, é todo de versões, de Cartola a Muse, outra atração do Rock in Rio – e o futuro da carreira que começou “por acidente”.Você já conhecia a Vintage Trouble, banda que vai tocar com você no show do Rock In Rio?
Jesuton –
Não, minha equipe me apresentou a eles. Ouvi a música “Blues hand me down” e fiquei bem impressionada. Eles têm uma energia no palco que me lembra de James Brown. Uma mistura de rock e soul. Eu adorei, fiquei feliz. Mas ainda não sei como vamos nos organizar, se eles vão ser minha banda ou vamos nos dividir. O Rock in Rio, assim como a rua, é um lugar onde você tem que conquistar a atenção das pessoas, pq elas não estão lá necessariamente para ver você. O que acha que vai ser mais desafiador, cantar na rua ou no Rock in Rio?
Jesuton – Eu cantei em outro festival, em Salvador, Festival de Verão. E achei muito similar a cantar na rua mesmo. Por isso que você destacou, que as pessoas não estão indo para ver você. Na rua e também no festival, você está lutando pela atenção das pessoas. Você tem essa energia de querer fazer o melhor, para as pessoas irem ver o que você faz. Cantar no Rock in Rio será como cantar na rua, mas há uma quantidade enorme de pessoas que eu não conseguiria alcançar. Acho que vou ficar nervosa, ansiosa, com a quantidade de pessoas.  Mas cantar é para mim um sonho. Quando eu trabalhava em escritórios eu nunca me imaginei na frente de tantas pessoas. Mesmo que seja difícil, não significa que não vai ser provavelmente o melhor dia de minha vida até agora.Você pensa em compor para o próximo disco?
Jesuton –
Eu escrevo letras. Agora estou nesse processo de compor coisas e ter parcerias com outros artistas. Mas está no começo. Desde o momento em que ficou pronto o primeiro trabalho, eu já estava pensando no outro. Como foi acontecendo muito rápido, agora eu tenho o luxo de ter um pouco mais tempo, de fazer alguma coisa diferente. Passar um pouco mais de tempo escrevendo. Não estou com pressa, mas já está a caminho.Você assiste à novela com sua música? Sabia que teria essa visibilidade?
Jesuton –
Desde as primeiras semanas no Brasil dava para que novela é uma coisa muito importante. É parte muito grande da cultura. Poder fazer isso foi maravilhoso. Mais ainda porque é uma música soul, de Dionne Warwick. Desde cedo ouvia muito soul – Aretha Franklin, Otis Redding. Tem muito a ver comigo, gosto de cantar essas grandes músicas. A imagem se encaixa muito bem com o que gosto.Você já cantou com o Seu Jorge. Conversou com ele sobre a experiência de se apresentar na rua?
Jesuton –
Sobre isso não conversamos, mas antes de conhecê-lo, as pessoas falaram sua história e achei super interessante. Porque ele lutou muito pelo que queria. Acho que foi um dos primeiros artistas brasileiro que conheci, na faculdade. Ele fez versões de David Bowie que fizeram sucesso na Inglaterra. Foi um sonho cantar com ele. Vários artistas já começaram na rua. Na Europa há uma cultura de treinar um pouco e decidir seus sons na rua. Aqui não sei. Mas há muitos artistas assim no mundo, por exemplo no projeto Playing for Change, com artistas de rua de todo o mundo. É um bom treinamento, porque você aprende como interagir com as pessoas, e vê se as pessoas gostam de sua música ou não. Fico agredecida com a oportunidade de ter cantado na ruaComo foi cantar “O mundo é um moinho”, do Cartola? Você entendia toda a letra ou decorou algumas palavras?
Jesuton –
Cantar isso foi um desafio lindo. Eu gravei essa música com três meses no país. A primeira vez que eu ouvi, não entendi quase nada. Mas tinha um poder, do jeito como que o Cartola cantava, me chegou diretamente à alma. Mas depois me contaram a história da música. Naquele momento eu entendi toda a emoção. Acho ainda difícil entender tudo da primeira vez. Ainda tenho que estudar algumas músicas. Mas como fiz questão de entender cada palavra, foi um português super avançado para mim no momento. Ainda não tenho o português perfeito, posso ouvir que estava bastante difícil para mim. Mas eu tinha tanta vontade de fazer isso, por amor… Foi necessário.Você quer continuar sua carreira no Brasil ou pensa em sair, voltar para Londres?
Jesuton –
Na verdade, eu não cheguei aqui pensando em tentar a carreira de maneira firme. Queria cantar mesmo. Eu queria duas coisas: poder viver da música e poder viver no Brasil. Viajar para vários lugares no país. Eu me vejo aqui. Não descarto a possibilidade de viajar para outros lugares, talvez ter uma etapa fora do Brasil. Mas por agora me vejo aqui, fico contente de ter a possiblidade de viver da música.

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