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Após tentativa frustrada de acordo, greve de ônibus é mantida no Recife

Após cinco horas de reunião privada, rodoviários e patrões não entraram em acordo sobre a campanha salarial da categoria, que começou nesta segunda (1°) uma greve por tempo indeterminado. A audiência de tentativa de conciliação terminou por volta das 23h e ocorreu na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT6), no Recife. O vice-presidente da instituição, desembargador Pedro Paulo Pereira Nóbrega, determinou julgamento do dissídio coletivo para esta terça-feira (2), às 17h. Os profissionais querem aumento de 33%, enquanto o patronato oferece 3%.

A conciliação entre as partes já havia sido tentada em reunião no Ministério Público do Trabalho. Sem sucesso, os rodoviários decretaram greve na quinta (27). Só que nesta segunda-feira,  o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) pediu para o TRT julgar se a paralisação é ou não abusiva. A sessão foi aberta às 17h30, e o desembargador teve conversa privada com cada uma das partes. No dissídio, o pleno do TRT6, que conta com 19 desembargadores, irá definir os percentuais de reajuste salarial, entre outros pleitos da campanha, e a legalidade da greve.

“A greve continua. Pediremos que nossos colegas compareçam às garagens e, amanhã, decidiremos o percentual da frota que vai circular. Os patrões mantiveram a proposta de 3%, só acenaram a possibilidade de mudar em outras cláusulas. Acredito que a Justiça será feita amanhã em favor dos trabalhadores”, disse o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, Patrício Magalhães.

O presidente do Urbana-PE, Fernando Bandeira, afirmou que foi impossível negociar. “Agora vamos ao julgamento”, limitou-se a dizer.

Antes da audiência, integrantes da oposição rodoviária se reuniaram em frente ao TRT6 para pressionar o órgão e o patronato. “Estamos aqui para pressionar a favor da categoria, pois 3% de aumento é menos que a inflação, é colocar a categoria na lata do lixo”, disse um dos integrantes da executiva estadual do Conlutas, Hélio Cabral.

Motorista há 18 anos, Josival Costa estava entre os manifestantes segurando o cartaz que dizia “salário de fome”. “Tente viver com pouco mais de R$ 600, que é o que ganha um cobrador. Não dá para sustentar a família assim, correndo ainda risco de morte”, protestou. O Conlutas informou que vai realizar assembleia, em frente aos Correios, na Avenida Guararapes, Centro da capital, a partir das 10h desta terça (2), para avaliar a audiência e a paralisação da categoria.

Ainda nesta segunda, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco recebeu denúncia dos rodoviários de que empresas estariam demitindo funcionários que aderiram à greve e contratando profissionais para substitui-los, contrariando o que prega a lei. O órgão informou que vai apurar as informações.

O presidente do Urbana-PE também negou a denúncia sobre demissão de trabalhadores e contratação de novos para assumir a vaga. “Não procede”, pontuou.

Poucos ônibus
A greve causou transtornos aos pasageiros na manhã desta segunda. O G1 registrou filas grandes nas paradas e ônibus lotados. O Sindicato dos Rodoviário disse que iria colocar apenas 30% da frota para circular.

Segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte, 48,6% dos coletivos circularam no horário de pico (5h30 às 9h). Já a Urbana-PE informou que 56% da frota foi colocada nas ruas neste mesmo intervalo. O desembargador Pedro Paulo Oliveira determinou, na noite da última sexta (28), que 80% da frota deveria funcionar, mas, de acordo o TRT6,  a notificação oficial só chegou às mãos do Sindicato na manhã desta segunda.

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